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Os abutres da montanha

Qual o preço de uma boa história? Será que é válido colocar em risco a vida de alguém somente para alavancar sua carreira? No filme “A montanha dos sete abutres” (Ace in the hole) essa reflexão não foi feita por Charlie Tatum.

O então repórter decadente, após perder o emprego por 11 vezes, segue para um pequeno vilarejo no meio dos Estados Unidos para tentar a vida em um jornal local. Tatum pretendia ficar alguns meses, mas quando se deu conta, já havia se passado um ano e ele estava sendo escalado para cobrir um evento local.

Sem opções o repórter seguiu para sua cobertura. No meio do caminho, ao parar em um posto de gasolina, soube de um homem preso em uma caverna quando tentava buscar relíquias de antigas tribos indígenas que viveram na região. Foi aí que Tatum viu a chance que precisava para reerguer sua carreira.

O resgate do homem era simples e duraria no máximo um dia, mas Tatum não poderia perder a sua grande história. Ele começou a controlar tudo, desde a forma com que o resgate seria feito até os depoimentos das autoridades envolvidas no caso. Tudo isso com a intenção de prolongar a história e causar uma comoção nacional.

A situação ficou fora do seu controle. O homem, que poderia ter saído dessa situação com ferimentos leves, acabou morrendo por ficar sete dias na mesma posição e em um local com pouco oxigênio. A história desse filme acontece na vida real quase todos os dias e com personagens e cidades diferentes.

Não é muito difícil perceber onde e como isso acontece. Os fatos mais corriqueiros podem ter suas proporções aumentadas para simplesmente garantir a audiência. Isso é mais freqüente nesses programas “policialescos” que só mostram o “mundo cão” com a desculpa de mostrar a realidade aos cidadãos.

Quanto maior a audiência, maior é o apelo. Essas situações não iriam acontecer se não tivesse aí um interesse – que às vezes chega a ser mórbido – do público. Assim como no filme, todos se permitem obedecer ao repórter e, no momento em que a vítima morre somente ele é o culpado. Mas ninguém leva em consideração que uma história só tem audiência se tiver alguém interessado em ouvir.

Uma resposta

  1. Gostei da dica e do texto! Curiosidade é tudo! Hora de correr atrás e assistir todo!
    Abs!

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